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Nós brasileiros achamos normal político profissional que mora em castelo.  Nó rimos de um motorista que entra no carro completamente bêbado.  Para nós é inevitável crianças vivendo e morrendo na rua.  Nenhum jornalista brasileiro considera a foto acima suficientemente forte para virar notícia de jornal sério.  Sabemos que 36% de todo nosso esforço serve para sustentar uma quadrilha em Brasília e seguimos em frente. Sem olhar para o lado

Dê mais que emola, dê futuro.

Tendo em mente que o povo brasileiro está calejado desse jeito, como algum profissional de comunicação espera que um slogan bonito, como esse do Programa São Paulo Protege, impresso no papel vai nos sensibilizar e  mudar nosso comportamento?  Não vai.

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Em 2005, “com o slogan “Não dê esmola. Dê futuro”, foi lançada pela prefeitura, em São Paulo, uma articulação entre a sociedade e prefeitos da região metropolitana para tentar mudar essa crônica paisagem de crianças pedintes”.  “Não se trata de uma experiência qualquer. Está se envolvendo nessa operação um forte esquema de poder. Governos estadual e municipal, associações comunitárias, mídia, empresários, fundações e ONGs”.

Olhando para a comunicação e para as ruas, eu posso dizer com certeza que a campanha não deu em nada. Não conseguiu levantar a discussão a ponto de influenciar a sociedade.

O desperdício é que em uma campanha com propósito nobre pede os PR Stunts mais ousados e criativos que se pode pensar.  Por uma causa, nós podemos fazer tudo e nenhum cristão fica ofendido quando o Greenpeace usa o Cristo Redentor para se promover (imagina se fosse uma marca de cerveja ou de picolé).  Nesses casos a criatividade não esbarra em nenhum limite ou legislação.

Se realmente tivesse pensado em gerar boca-a-boca e mídia espontânea para o assunto e não simplesmente em cumprir a tabela de mídia, o prefeito de São Paulo teria contratado UM único repórter fotográfico para passar 2 meses nas ruas da cidade investigando e expondo que a mendicância é de fato profissional.  E nós perceberíamos que alimentar este hábito não ajuda ninguém e não vale para recebermos perdão e aliviar nossa consciência pelos pecadinhos do dia-a-dia.  Esse material jornalístico e investigativo poderia alimentar um blog/fotolog que, bem divulgado, pautaria dezenas de veículos, blogs e mesas de boteco em cima desta questão.

E foi isso que a Veja São Paulo fez e publicou no último fim de semana com o título profissão mendigo.  Não sei vocês, mas depois de ler a matéria eu não dou mais esmola.

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Abs, Gfortes

7 comentários

6 comentários

  1. Pedrovisky disse:

    Eu nunca dei esmola. Sempre fui contra essa prática e tento espalhar essa idéia adiante pra que outros também não o façam.

    Detalhe:
    O “mendigo cadeirante” que saiu na capa da Veja SP numa feira aqui na rua, já não apareceu mais na feira dessa semana.
    O pior, é que provavelmente ele não desistirá da profissão mendigo e deverá apenas mudar o disfarce e continuar pedindo esmola aplicando golpes.

  2. Bruno Tozzini disse:

    sem palavras…
    eu já não dou esmolas faz um bom tempo. já aconteceu comigo de dar umas moedas e o cara olhar e jogar no chão, “indignado” com a pequena quantia.
    ABS

  3. Isso não é exclusividade brasileira não Gustavo.

    http://novo-mundo.org/log/geral/mais-um-dia-de-trabalho.html

  4. É, infelizmente a profissão mendigo está quase tendo faculdade.

    Todo dia eu fico com pena, com o coração apertado ao ver crianças que deveria estar na escola pedindo esmolas enquanto a mãe, buchuda, com um bebê no colo fica sentada na sombra mandando os pequenos pedir dinheiro.

    Não dou esmola para não incentivar essa prática.

  5. Já vi cara de terno e gravata na V.Olimpia dizendo que precisa de dinheiro porque foi roubado. Todo dia isso.

  6. Eu não acredito nesses comentários. Nada mais ideológico que uma campanha contra esmolas. Concordo que dar esmolas pra crianças incentiva uma prática de exploração infantil, e logo, realmente não é uma boa idéia, mas quando um adulto pede esmolas, você é livre pra dizer não, sem esse discursozinho de direita. Pedir esmola é abrir mão da própria dignidade por dinheiro. Um político corrupto faz isso de terno e todo mundo acha lindo.

    Dar esmola é solidariedade, é compartilhar uma parte da sua liberdade com alguém que é mais vítima de um sistema extremamente injusto que você.

    Se você não quer gastar dez centavos, cinqüenta centavos, um real, tudo bem, ninguém é obrigado a fazer caridade, agora transformar esse sentimento de culpa em um discurso paternalista “eu sei o que é melhor pra você, sr. Pobre”, é desumano e nojento.

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