Espalhe é a primeira agência de marketing de guerrilha do Brasil.

Fugindo dos concursos óbvios em redes sociais

Sergio Motta

O Instituto Sergio Motta criou o festival on-line HTTPTAGS. Os interessados devem fazer uma curadoria on-line, com 10 sites para compor uma mostra temática on-line, por meio do site de social bookmarking Delicious.com.

E o melhor de tudo é que os escolhidos não ganham iPods e nem Nintendos Wii, os criativos prêmios “dahora”. As melhores curadorias levam para casa prêmios de R$ 5 mil, R$ 3 mil e R$ 1 mil.

Corra que as inscrições foram prorrogadas só até hoje.

A Curadoria on-line do Blog de Guerrilha é para posts nossos e de outros comentados aqui recentemente sobre a “queda da propaganda”:

# Blog de Guerrilha: Um próspero 2008 [para a Ivete, para o Nizan e para o Justus]

# Stalo: Celebrando a morte do Marketing

# Indexed: A friend told me about it.

# Coxa Creme: blogueiros ou putinhas?

# Brainstorm #9: O “big ad” dos 120 anos da Brahma

# BlueBus: Marinho | Pequenas mentiras que as marcas contam para vender mais

# Advertido: ADVERTISER X CONSUMER

# Contraditorium: E o Nizan quase entendeu a Internet

# Guerrilhapédia: Livro A Queda da Propaganda

# Wired: The Lost Boys

Abs, Gfortes.

Via comunidade de Marketing de Guerrilha no Orkut

Leia também:Concurso usando o del.icio.us


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Washington Olivetto na Trip FM

“O negócio da propaganda não está tão próspero como ele foi. Ele não está tão rentável não é essa maravilha toda
Existe uma crise mundial criativa e uma crise mundial negocial no negócio da propaganda. Que é um negócio que está colocado em dúvida. Que está sendo revisitado, que perdeu muito a auto-estima. Uma das funções do livro que eu fiz é voltar a valorizar a grande idéia, a necessidade de coisas onde o conteúdo seja superior a forma. Apesar da forma ser importante. A necessidade do respeito entre todas as partes. A necessidade de uma remuneração consequente e correta“.

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Exemplo de conteúdo (belo conteúdo) superior a forma na última campanha de W.O.

Ouve lá.

abs, Gfortes


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O avesso do Avesso…

Braincast TV na Espalhe

O Avesso é aquele programa super bem produzido, exibido nos canais Sony e AXN, onde os donos de agência, publicitários em geral e gerentes de produto pleno adoram aparecer contando os seus cases espetaculares de marketing e os bastidores de campanhas.

O Braincast TV é tipo o Avesso. Também é super bem produzido, não perde para nenhum programa de TV, com qualidade Brainstorm9, Colméia e Estúdio Mellancia. Os publicitários e personalidades da web também adoram aparecer contando seus cases espetaculares de marketing e os bastidores de campanha. A única diferença é que o Braincast TV não funciona no estilo jabaculê do Avesso. Por conta disso, os donos de agência talvez não conheçam.

Quando eu e Mr. Wagner fomos convidados a participar do programa, imediatamente o sucesso subiu a cabeça e nos sentimos na pele de Kevin e Alex, os premiados, hypados e bem sucedidos protagonistas do Diggnation, que bebem cerveja e conversam enquanto gravam o videocast.

Aprendemos que isso pode ser perigoso: sem jabaculê não tem replay. Por outro lado a conversa fica mais franca, as opiniões aparecem e a pagação de mico corre solta.

Assista a todos os episódios da invasão do Braincast TV na Espalhe:

#6 Marketing de Guerrilha [Parte 1]

#7 Ranking de Agências

#8 Microsoft + Seinfeld, funciona?

#9 A Torre de Babel dos blogs

#10 Faixa-Bomba

abs, Gfortes


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Feijoada completa para El Ojo

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De quantas maneiras diferentes uma mesma história pode ser contada? Desde o caso Ronaldo na Copa de 98 nós não víamos tantas versões diferentes para uma mesma fábula - no caso, a dos Três Porquinhos, na cativante campanha da SantaClaroNitro para o festival El Ojo de Iberoamérica.

Os vídeos trazem versões de variadas e extravagantes personalidades, como a Gaga de Ilhéus, o Silvio Santos e até mesmo o Comandante Fidel. Ainda tem espaço para interpretações dramáticas, alucinações flamenguistas, e até a versão de um Blogueiro presepeiro.

Como é praxe nos escritórios da Espalhe, não nos fizemos de rogados e preparamos uma suntuosa versão guerrilheira para a bela saga dos porquinhos.

You need to a flashplayer enabled browser to view this YouTube video

Em um meio tão cheio de Cíceros e Heitores, é lógico que guerrilha é o Prático da história.

Abraçando os hypes mudos da internet, se fizeram presentes vídeos com a elegante versão do Vítor Fasano do Twitter, e outra no estilo Cersibon, a dislexia preferida da nação. Vale à pena conferir a genialidade das duas peças. E veja aqui todas as versões.

abs,

Chico Barney


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Lembram da Talent?

Anúncio da Talent

Talent é aquela agência de propaganda que fez uma campanha para o jornal Estado de S. Paulo onde advertia para os perigos de se encontrar conteúdo não confiável na internet, especialmente nos blogs. E fazia uma brincadeirinha com macacos e pessoas esquisitas que estariam por trás dos blogs. Claro que fechava dizendo que todos podem ficar tranquilos com o conteúdo do Estadão. No debate que sucedeu a polêmica, oDiretor de Criação da agência que fez a campanha disse que “não tinha muitas referências de blogs no Brasil que faça questão de ler”. Ou seja, o cara não lê nenhum blog.

Pois bem, a Talent saiu esta semana com este anúncio de 1 página no Meio & Mensagem, principal veículo do meio publicitário nacional, dizendo que um “menino de 5ª série sabe mais de interatividade que você”. Eu pergunto: você quem, cara pálida?

Dizendo ainda que “o novo site da Talent, feito para quem quer se divertir, se informar…“. Eu aposto: se algum leitor fizer um comentário me convencendo que conseguiu se divertir ou se informar no www.talent.com.br, eu pago um almoço (sem bebida) na Fogo de Chão de São Paulo (sem transporte).

Os dias estão contados para quem vende discurso sem conteúdo e com imagens bonitas. O consumidor está esperto e quer conteúdo para se informar, se divertir e para falar. Claro que muitos continuarão a fazer fortuna enganando os trouxas, mas não estarão mais no mercado de comunicação.

Não basta dizer “eu sou” e “eu faço”. Tem que fazer. E se não fizer, o menino da 5ª série faz e coloca no Youtube antes de você.

abs, Gfortes (torcendo para o pessoal da Talent continuar sem ler blogs)

Update - leia também: o Cardoso mostrou aqui o conhecimento interativo da agência Africa.


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Death of the Traditional Marketing Model

Brothers and Sisters, we are here to say goodbye to marketing as we know it:

You need to a flashplayer enabled browser to view this YouTube video

Via Estalo.org

Leia também:

# 02/01/2008: Um próspero 2008 [para a Ivete, para o Nizan e para o Justus]
# 10/02/2008: Naked


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Resultado do concurso CAMISETA DE MARKETING DE GUERRILHA GRÁTIS

Como o resultado do concurso cultural CAMISETA DE MARKETING DE GUERRILHA GRÁTIS superou muito a expectativa, com 47 emails enviados, nós resolvemos dobrar o número de premiados. Muitas respostas se repetiram, desta forma, procuramos eleger 1 resposta de cada linha diferente. Agradecemos a todos que participaram, as respostas foram muito boas e rimos bastante.

Estas foram as 6 respostas premiadas:

# Juliana Gaiba

1. A Ivete cantando duas músicas pregando por uma vida mais “simples”.

2. Silhuetas.

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3. Slogans.

“Sense and simplicity”
“Pega leve”

4. Ambos têm uma cor predominante. “Sense and simplicity” é mais carregado no azul (cor da marca Philips) e tem cores frias. O “Pega Leve” é mais amarelado, como a cor do produto.

5. Os vídeos parecem ter o mesmo formato em widescreen, com as barras pretas em cima e em baixo.

6. Mão interagindo com o produto.

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7. A música começa lenta, com Ivete quase “conversando” com o espectador, acompanhada por apenas um instrumento (“Sense and Simplicity” tem piano, “Pega Leve” tem violão) e vai num crescendo.

8. Gente relaxando deitada na grama.

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9. Alternância de cenas com corte seco entre elas. Elas ficam não mais que 3 segundos na tela.

10. Pessoas pulando, de braços abertos, se divertindo em grupo.

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11. Líquido num copo.

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12. Alguém fingindo que pedala.

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13. Um “Fulano” fazendo peripécias pra uma platéia de costas para o telespectador.

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14. Um cara fazendo uns passos que lembram break, sozinho.

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15. Pessoas apreciando ou interagindo com o produto em dois momentos: relaxante e animado.

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16. No fim do comercial, logo + slogan + site.

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17. Povo louvando a Ivete nos comentários [dos filmes no Youtube].

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# Edoardo “Doda” Vilhena

Ivete X Ivete

1 - Os dois comerciais não exibem as pernas descobertas de Ivetão. Se a intenção era apelar “pro popular” e “nivelar por baixo”, era melhor aplicar a Política É o Tchan de Entretenimento®: a música é ruim, mas a mulher é boa.

2 - Em ambos os reclames, podemos notar a exagerada presença do planejamento cri-cri, essa simpatia que agora reina na propaganda nacional. A presença cri-cri planner se caracteriza na compulsão de enfiar na idéia criativa todos os resultados de pesquisa, conceitos, estudos e observações que na teoria são lindos e cheirosos, mas que na prática são tão inócuos e enjoativos quanto perfume exagerado de atendimento. “O Focus Group disse que cerveja no verão lembra alegria, praia e amigos, um clima leve, pega leve, sacou, hã? É forte, tem pegada, heim?”.

3 - O histórico de não fazer diferença das duas marcas também foi respeitado, assim como a cabeça do consumidor. “Se tecnologia é sinônimo de Sony, não é justo embaralhar a cabeça do consumidor nos posicionando como trendsetters. Vamos homens, convoquem Ivete, façam um jingle!”. Já no QG Schin, o papo não foi muito diferente: “ei, eles descem redondo há anos e ninguém gosta da nossa cerveja mesmo, não é agora que isso vai mudar, não é mesmo? Vamos homens, me tragam Ivete, quero um jingle na minha mesa em 5 minutos!”.

4 - Os dois clipes, digo, comerciais, também se mostram antenados com uma das grandes expressões em moda nos dias de hoje: information overload. “Uau, o filme ficou ótimo! Vai contribuir bastante na absurda quantidade de informação que o consumidor médio recebe diariamente e esquece assim que muda de canal ou vai fazer xixi! Vamos, me tragam esse mapa de mídia aqui, quero inserções, muitas inserções, entenderam? Uháháháhá, vamos levantar poeira!” (risada maquiavélica com intervencionismo ivetesco detected).

5 - O realismo é outro traço marcante dos filmes. O clima geral de otimismo, felicidade e bundalelê diz muito sobre a natureza do nosso povo, que nunca antes na história deste país viu tanta alegria junta em comerciais que não dizem nada.

6 - Outra qualidade das duas produções é a sua capacidade em alegrar os publicitários argentinos que, ao tomarem conhecimento de tais campanhas, têm cada vez mais certeza de ter nos ultrapassado como liderança criativa regional e mundial.

7 - Mostrando inovação e ousadia, os dois comerciais possuem em comum uma última característica: o elemento clichê-étnico-descolado mais utilizado na publicidade brasileira dos últimos 10 anos. Ele, o homem, a lenda: o afro-descendente de cabelo black power dançante e sorridente (no da Schin é mais difícil de encontrar, mas ele está lá, procure).

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# Leandro Gabriel

1- Ambos exibem, exatamente aos 20s, pessoas pulando ou dançando.

2- Aos 23s o da Phillips exibe uma espécie de “espremedor” ou algum “juicer” servindo leite ou algo do gênero e o da Nova Skin, exibe aos 28s a cerveja sendo servida.

3- Philips, aprox. 36s, pessoa simulando pedalar, NovaSchin, 39s, pessoa simulando pedalar

4- Philips 42s, BBoy dançando Break, NovaSchin, 42s, idem

5- Philips 52s, pessoa desenhando com luz, NovaSchin 56s, pessoa desenhando com “bafo no vidro”

6- a receita Ivete Sangalo + música com batuque + gente feliz + cenas wear sunscreen style + (insira algum outro clichê que eu tenha esquecido aqui) by Publicidade 2007.1

7- Mashup dos dois videos tem? Tem sim senhor.

######

# Marcel Maineri

Seguinte, quando eu li o post de vocês sobre a camisa da Espalhe eu pensei direto: vou participar! Alias, participaria até por um singelo adesivo.. :) Olhei os dois filmes pra procurar as 7 semelhanças neles.

Eu ia fala sobre a forma que é usado o jingle para vender o produto em questão, exaltando as qualidade do cliente. A forma de como o jingle é feito para virar aquele chiclé de ouvido. A edição do filme mesclando cenas de dança, bundas, praias e amigos junto com os produtos. Os cortes bruscos (típica caracteristica pós-moderna) na edição dos filmes. Uma mescla de planos de filmagem, desde o close até o plano americano. Poderia falar sobre todas semelhanças dos dois vídeos em si. Mas não.

Acho melhor falar sobre o que está por trás dos dois vídeos. Primeiro, dois vídeos com custo de produção altissímo. Os dois possuem diversas locações, modelos, e claro, o cachê da Sangalo. Segundo, a veículação. O plano de mídia dos dois vídeos são bem semelhantes. É só dar para o estágiario marcar um X em todos os horários nobres das principais atrações. Isso inclue o Fantástico, Novela III, Jornal Nacional, etc. Depois o estagiário pede pro diretor de mídia assinar e pronto! Tem também o BV. Sempre será melhor investir alto em um veículo que te repassa 15, 20% do dinheiro do cliente. Engordam os bolsos dos donos da agência, pagam salários, e garantem a ida a Cannes. Nem que seja só para passear. Outro fator é a Ivete. Ah, a Ivete. Toda a massa se identifica com ela. Gostam de axé, acham ela gostosa, voz bonita (?). É uma referência para essas pessoas. E Ivete vende. De cerveja, televisão, sandália, curso de corte e costura. O que ela pega ela vende. Isso é bom para o cliente e para agência. será?

O fator chave de tudo isso é que aqui no Brasil o feijão-com-arroz da certo. Os dois vídeos são receita de bolo. Junte uma cantora famosa, um jingle grudento, uma edição bacana, com luzes e lugares que o povo diga “óhhh” e pronto. Manda ele pra rede Globo (plin plin) e feito o carreto. Os próprios diretores Nizan e Justus confirmaram que o feijão-com-arroz alimenta. Os bolsos deles, mas alimenta.

Também, assim como vocês, gostaria que a tendência para 2008 fosse um pouco diferente. Que pudessemos ser remunerados pela nossa criação, e não pela bonificação por volume. Alías, criatividade é o único produto que temos para vender. Esperava também essa mudança no mercado, nem que seja um abrir de olhos para novos formatos, novas tecnologias, novas possibilidades de veicular uma mensagem com conteúdo.

Quem sabe a abertura de novas agências com foco diferenciado assim como vocês. Para que no ano da minha formatura eu não precisasse trocar a minha vontade de trabalhar com conteúdo/relevância à me render ao trabalho de atendimento em uma grande agência qualquer.

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# Henrique França | Beagle

1) Seqüências de imagens seguidas de cortes rápidos

2) Cenas do cotidiano que poderiam servir para qualquer campanha, intercaladas com imagens do produto.

3) Silhuetas clichês em fundos coloridos.

4) Ritmo crescente, a música começa devagar e vai acelerando

5) Passos de street dance e break (apenas pelo fato de ser plasticamente bonito)

6) A presença/voz da musa pop star vedete dos últimos dois ou três verões (quase como Ronaldinho Gaúcho na Copa do Mundo)

7) Falta de criatividade e ousadia para ir além do feijão com arroz na publicidade

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# Michelly landin

os dois comerciais:

- não têm nada de criativo
- mostram inclusão de pessoas
- liberdade
- movimento
- diversão
- simplicidade de ser / viver
- os dois são clichês

quero essa camiseta, adoro o fundamento que ela inspira.

######

Pedimos que os ganhadores enviem novo email (usando o mesmo email que enviaram suas respostas) com o tamanho da camisa e o endereço para entrega.

abs,


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Um próspero 2008 [para a Ivete, para o Nizan e para o Justus]

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A última edição do ano do jornal Estado de S. Paulo discutiu os desafios do mercado publicitário em 2008. A matéria afirma que “a publicidade brasileira atravessa um dos períodos de maior transformação da sua história. Estão ocorrendo mudanças profundas no modelo de negócios, no mercado de consumo, no modo como as pessoas se comunicam e na relação das agências brasileiras com os grandes grupos internacionais”.

Para endossar esta tese e apontar o caminho a ser seguido, o jornal entrevistou os dois principais executivos do mercado, Nizan Guanaes e Roberto Justus, presidentes respectivmente do Grupo ABC, maior conglomerado nacional com 13 agências e mil funcionários, e do grupo Newcomm, com 7 empresas e controlador da maior agência brasileira em faturamento (boa parte em função de ter a conta do maior anunciante do Brasil, as Casas Bahia).

A matéria de uma página foi dividida ao meio entre os 2 tycoons _ Guanaes diz querer ser a Vale do Rio Doce da publicidade brasileira e Justus se compara ao criador da Virgin, Richard Branson, um grupo com mais de 300 negócios _ mas traz apenas uma tendência para o mercado de comunicação e mídia.

O que seria uma visão de futuro digna de dois executivos deste porte, com pretensões gigantes para seus negócios?

Uma parceria com o Google para vender geladeira dentro do Orkut para os seus 50 milhões de membros?
Uma rede de blogs segmentada e com uma audiência total maior que horário nobre da Rede Globo?
Product placement em filmes e games com distribuição dos CDs grátis via camelô no estilo Tropa de Elite?
Uma parceria com uma operadora de celular nos moldes da CBS Mobile para falar com 100 milhões de celulares?
Um novo modelo de negócio baseado em valor e não em BV?

Nada disso. A tendência apontada pelos gênios da comunicação nacional é que as agências que faturam muito com o modelo “quanto mais o cliente gasta, mais a agência ganha” vão continuar defendendo este modelo no ano que vem, no outro ano também e enquanto puderem e os clientes aceitarem.

O interessante é que para justificar este mesmo modelo, os dois executivos usam teses completamente opostas.

O dono da “Vale da propaganda” se apoia no discurso nacionalista do país continente, que não precisa se dobrar ao dumping internacional, como ele chama os alinhamentos de conta. Para Nizan, este modelo que vem de fora é injusto para as agências brasileiras, pois “fraciona, estabelece os birôs de mídia, acaba com a BV, estabelece hot shops. O que acontece nesse cenário?” Sobra muito pouco dinheiro para as agências do Nizan, que diz ser “natural, dentro da dinâmica do capitalismo, que cada player defenda seus interesses. Devemos fazer em condições iguais e defender a nossa lógica”.

“Sir Richard Justus”, por ser associado a um dos 4 grandes grupos internacionais e, ao mesmo tempo, ser a agência do maior anunciante brasileiro, que vende para o povão, tem um discurso complemente diferente. Resumindo, para Justus o brasileiro é burro e não estamos preparados para estas coisas modernas que acontecem no exterior. Em suas palavras, Sir Justus diz que a “modernização que se dá lá fora não é igual ao que acontece aqui dentro. Temos que tomar cuidado. A grande massa de consumo não tem condição de absorver a tecnologia do jeito que ela é oferecida lá fora. A televisão aberta continuará sendo o canal de consumo de mídia, e isso é totalmente diferente do que acontece no resto do mundo. Não vou falar com o público das Casas Bahia através de mensagens de celular, mas sim pelos comerciais televisivos que tem resposta imediata. Ainda vou vender muita cerveja pela televisão”.

Ou seja, se depender dos homens mais criativos e antenados do Brasil, 2008 será um ano de prosperidade para a Ivete Sangalo que vai continuar vendendo muita TV Philips e muita cerveja Nova Schin. Além de muito shampoo, muito cartão de crédito, muito sabonete, muito apartamento, muita sandália.

E também será um ano de prosperidade para as agências de propaganda, apoiadas nas comissões recebidas das poucas empresas brasileiras de comunicação, a maioria delas com concessão do Estado.

E se o povo continuar a pedir a cerveja da Ivete ou a TV da Ivete, mesmo depois que a Ivete mudar de marca, é porque os profissionais de Marketing da empresa Ivete Sangalo são muito bons.

Aos guerrilheiros, ainda que 2008 não seja um ano tão pró$pero quanto o da Ivete, o do Nizan e o do Justus, esperamos que todos nós saibamos aproveitar esta paralisia mental das agências de propaganda _ motivada não pela falta de qualidade dos seus profissionais, mas sim pela grande quantidade de dinheiro gerada por este modelo de negócio engessado _ para criar conteúdos surpreendentes, modelos de negócios inovadores, ações mais inteligentes e continuarmos crescendo nos corações, mentes e orçamentos das grandes marcas.

Aos leitores que nos acompanham há cinco anos, agradecemos a discussão dos conceitos e replicação das idéias.

Aos clientes da Espalhe e da Fan em 2007, agradecemos por, de alguma forma, pensarem diferente:

Klabin Segall, Microsoft, Cyrela, Coca-Cola, Agência Click, Fesa, Warner Channel, Johnson&Johnson, Whirlpool (Brastemp e Consul), Vale, Conspiração Filmes, Escola Panamericana, Tetra Pak, Museu Lasar Segall, Procter&Gamble, Jack Liberties, Citroën, Danone, Satya Mandir, Agra, Editora Zeiz, Rossi, IdeiasNet, Cury, Editora Digerati.

E para inspirar a nós todos, pegamos esta frase na revista Wired de dezembro:

The future of advertising isn’t
writing better slogans or using cool photography or video.
It’s creating interactive stories people can explore over their phones,
on the web,
maybe even through a flash drive hidden in a bathroom.
It’s a new art form.

Abraços e feliz ano novo, Gfortes

Leia a matéria do Estadão: introdução / parte do Nizan / parte do Justus


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