Guerrilha contra Impostos

26 de maio

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Não foi no grito, na panfletagem ou gastando em propaganda de TV que o Movimento Endireita Brasil (MEB) – cliente da Espalhe – protestou contra o peso dos impostos na vida do cidadão brasileiro. Foi na gasolina – e na guerrilha. Em parceria com outros institutos, o MEB organizou hoje o Dia da Liberdade de Impostos, vendendo o combustível com preço livre de tributos – R$ 1,18, 35% menor.

Postos de São Paulo, Brasília, Porto Alegre e Belo Horizonte participaram da ação, atraindo, claro, filas de carros e muita mídia. Ricardo Salles, presidente do movimento, apareceu em quase todas as TVs do país, quase todos os sites, todas as rádios… Apenas com uma boa ideia. Lição de guerrilha!

E por que dia 25 de maio? Porque, até hoje, trabalhamos apenas para pagar impostos. É… Cinco meses de batente entregues ao governo e muito pouca coisa recebida em troca. Quer data mais propícia?

ALGUNS veículos em que a ação foi divulgada:

Folha de S. Paulo.

UOL – galeria de fotos

Terra

Jornal Nacional

SPTV (entrevista com Ricardo Salles)

Abs, Márcio Oyama



2 grandes videos virais de PRODUTO em 2008

7 de janeiro

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blog_07_01_viral2008.gif

É muito fácil fazer um vídeo viral: pega um rapaz bem magrinho, num apartamento bem tosquinho, com um maiô bem pequeninho e faz ele repetir a performance da Beyoncé no clipe Single Ladies (Put A Ring On It).  Sem o lombo da Beyoncé, o rapaz não chegou nos 25 milhões de views do vídeo original. Ainda assim, sem nenhuma produção, o clipe caseiro chegou em respeitáveis 1 milhão e novecentos mil views no Youtube.

É fácil. Sem compromisso nenhum é (mais) fácil. Difícil é fazer isso atendendo à demanda de um cliente para atingir objetivos concretos para um produto.

Nessa hora, quando o briefing do viralzinho chega na mesa, o despero bate e a solução mais rápida, mais fácil e mais burra é fazer um vídeo bem bonito, seguindo os guidelines da marca, e que não comprometa, já que em mídias sociais, “infelizmente”, as pessoas podem falar o que quiser, inclusive criticar.  E já que o vídeo não compromete, provavelmente ninguém vai falar dele também.  A solução então é garantir os views  “viralizando” com jabá, ou seja, comprando post em blogs para eles publicarem o vídeo como se tivesse realmente achado interessante.

Como nada disso é marketing viral _ o primeiro caso é vídeo viral “arte” e o segundo é jabá puro e simples _ escolhi dois vídeos virais de produtos, das centenas que caíram em nossas caixas durante 2008 e das muitas listas de the best viral of 2008, da lista do Washigton Post que definitivamente vendem o peixe.

# Yes We Can – Barack Obama Music Video:

Óbvio, mas o case Obama é o grande hours concours do ano que passou ao deixar evidente para todos os gerentes de produto do mundo que mídias sociais devem sempre ser consideradas em qualquer planejamento de marketing,  já que mesmo produtos caretas, como um candidato a presidente dos EUA, ganham muito com elas. Com mais de 15 milhões de views, o vídeo é lindo e inspirador.

[youtube:http://br.youtube.com/watch?v=jjXyqcx-mYY]

# Cellphone Popcorn:

Um exemplo perfeito de guerrilha.   Ainda mais quando consideramos que o produto em questão é muito menos glamuroso (cafona, né?) do que o Obama.  Para vender headsets bluetooths, a Cardo criou um meme inspirado na lenda urbana que o uso de celulares frita os miolos.  O vídeo extremamente simples mostra que as pessoas realmente estão atrás de conteúdo e quando este conteúdo interessa, todo mundo quer entrar na conversa. O produto aparece no final da história, de forma pertinente e todo bonitão.

Os vídeos originais passaram a ser particulares, provavelmente por pressão dos fabricantes de celular, apesar do texto “cover my ass” dizendo que era só brincadeira. Memos assim eles tiveram mais de 9 milhões de views e, mais incrível, CENTENAS  de vídeos inspirados nele, seja parodiando o original, seja respondendo que aquilo é impossível.

[youtube:http://br.youtube.com/watch?v=NCiS4gG-sE8]

abs, Gfortes



Guerrilheiro Nato

1 de setembro

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maroni.jpg

Oscar Maroni encontrou um jeitinho bem guerrilheiro de divulgar a sua candidatura a vereador. Simples e efetivo: duas meninas de biquíni, um caixote de madeira e um “showmício pop-up” no Viaduto do Chá.

Até aí, qualquer um faz. Gracinhas nas ruas já não são novidade, principalmente para o cidadão paulistano que já está enxergando este tipo de ação como parte da paisagem. A efetividade da guerrilha não está no inusitado, ou na “lampionagem“. O segredo do Marketing de Guerrilha é potencializar um factóide e fazer ele alcançar o maior número de pessoas possível. Só a idéia não funciona, é preciso conhecer os atalhos para fazer ela se propagar.

mais_enviadas.jpg

Ou vocês acham que o sucesso está nas dezenas de gatos pingados que viram o Maroni com “suas meninas” ali, em carne e osso? A beleza da guerrilha é fazer aquilo sair lá do Viaduto do Chá e chegar aqui no meu computador. Agora eu já sei que o número dele é 70111. Driblando o rigor da lei eleitoral que impede a mídia de divulgar o número dos candidatos. O cara teve a manha de pintar o número na barriguinha da moça. E, sem barriguinha, não há notícia.

[]´s Mr Wagner



Eleições 2008 – Se é proibido, então pode

1 de agosto

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[youtube:http://br.youtube.com/watch?v=ft8WMbrFVmE]

Me disseram (todo dia chega aqui um email de um “leitor” do blog de guerrilha sobre alguma ação “popular” contra algum candidato pelo Brasil) que Salvador inteira está brincando com o www.grampinhonao.com . O joguinho é mais uma das tantas ações de contra-campanha que estão rodando o Brasil pela internet nestas eleições. Muita gente anda questionando se a ação dá mesmo resultado. Tudo indica que sim. Com a viralização da campanha, matéria de página do maior jornal baiano, além de destaque no UOL, em blogs locais e outros como o do Ancelmo Góis, no Painel da Folha e até aqui no Blog de Guerrilha, consolida-se o apelido pejorativo que relaciona o candidato a supostas escutas ilegais feitas pelo seu avô ACM contra seus opositores. Tem também o filminho acima que mostra a valentia do jovem ex-deputado.

Contra-campanha é algo que sempre existiu, muito antes da Internet. Pode acontecer por ativismo (no caso cyber-ativismo) ou produzida por adversários. A triste novidade da obscura lei eleitoral para web é que o grande crime é assumir os próprios atos. Ninguém sabe o que é permitido. Nem o TSE. No Rio de Janeiro estão sendo toleradas a utilização de Flickr, YouTube e Orkut, por exemplo. Em outras cidades, o candidato que utilizar redes sociais corre sério risco de ser multado. E mais: se você fizer um blog em apoio ao seu candidato preferido, sabe-se lá o que vai te acontecer. Vai depender da boa vontade do juiz eleitoral da sua cidade.

Recentemente, o jornalista da CBN Milton Jung descobriu o Twitter e começou a usá-lo freneticamente. Em seu jornal na CBN e no seu blog (coloca permalink no post, Milton), ele comentou que se a campanha presidencial passada nos EUA foi um marco no uso dos blogs, esta está sendo no uso das redes sociais e dos micro-blogs, especialmente o Twitter. Neste sentido, ele fez um paralelo com a campanha para prefeito de São Paulo, onde os principais candidatos estavam no Twitter, sendo que Marta Suplicy é que usava melhor a ferramenta, comentando notícias do dia e apresentando sua agenda. No dia seguinte que ele disse isso, a ex-prefeita se manifestou dizendo que aquele perfil era falso e ela estava na justiça para tirá-lo do ar. Falso ou não, o perfil sumiu do Twitter.

O resumo da ópera é o de sempre, que explica muito do nosso Brasil: seja clandestino que está tudo bem. Arriscado é querer trabalhar dentro da legalidade.

Abs, Gfortes

[update] Outras fontes sobre propaganda política 2.0 e a regulamentação da campanha 2008:

# como obama reinventou as finanças para as campanhas eleitorais

# Eleições 2008 – Jornal pode, Internet não.

# Blog sobre as práticas e regulamentação da propaganda eleitoral na Internet



Factóide, ou PR Stunt, por Cesar Maia

24 de junho

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Cesar Maia

O prefeito Cesar Maia, nosso muso inspirador de marketing de guerrilha, ontem em seu ex-blog dá uma aula sobre factóides, que no marketing de guerrilha são chamados de PR Stunts. É fundamental o erro apontado pelo prefeito na interpretação como pseudo-fato, ao invés de fato carregado de imagem. Segue o texto copiado e colado:

1. A expressão “factóides” foi criada pelo escritor Arthur Miller, e depois usada por Alberto Dines em um artigo quando trabalhava em Lisboa. Em 1991, quando o atual prefeito do Rio, realizava pesquisas sobre comunicação política, duas leituras, uma do livro de Katleen Jamieson (Comunicação na Era Eletrônica) e outra de um artigo de Stela Senra (O Último Jornalista) ajudaram a entender as razões de um fato se transformar em noticia. Uma delas -numa sociedade da imagem- é que os fatos venham carregados de imagem, tanto em relação a quem está no centro dele, como em relação a quem narra.

2. A busca de uma palavra que traduzisse isso o levou de encontro ao uso da expressão “factóide”. Numa reportagem sobre o prefeito, na revista Veja em 1993, o jornalista Alfredo Ribeiro, destacou a questão, exagerando. O titulo da matéria foi: “Governar é lançar Factóides”. O prefeito estava numa fase de testes. Havia conseguido emplacar diversas fotos em matérias onde estava no centro dos fatos, havia conquistado várias capas de jornais e revistas e introduzido nos programas de rádio em que era convidado, a narrativa através de imagens.

3. O excesso nestes testes terminou lhe valendo como interpretação: maluco… O desgaste valeu, pois se passou a ter uma tecnologia experimentada de comunicação política, desenvolvida e comprovada. Mas -talvez por preconceito- factóide passou a ter uma tradução equivocada. Do que é -um fato carregado de imagem- passou a ser percebido como -um pseudo-fato- que é coisa diferente. Já em 1996 o “Aurélio” o incorporava no dicionário. Mas a versão do factóide como pseudo-fato se tornou mais difundida.

4. A partir de um certo momento, editores passaram a ter um cuidado excessivo com as imagens que o prefeito carregava em seus atos e fatos, o que produziu uma exclusão desnecessária de várias matérias, numa espécie de atenção para que “ele não nos use”.

5. Toda essa introdução é para chamar a atenção dos políticos -pois precisam usar esta tecnologia, buscando a notícia através de factóides- ou seja, fatos carregados de imagem. Quando a imagem não carrega fatos, esta é percebida pelas pessoas de forma negativa, como alegorias vazias e até pseudo-fatos, negando o fato que se quer destacar. Por exemplo: quando o presidente vai a uma plataforma de petróleo e mostra as mãos com óleo ele produz um factóide, pois a imagem carrega ou expressa um fato efetivo que quer destacar. Mas quando o governador anda de triciclo em Berlim, ele provoca um efeito negativo, no máximo uma alegoria. Não há fato: a imagem está solta.

6. Muitas vezes quando um político busca a imagem sem se preocupar com o fato, ele oculta o fato. Por exemplo: numa inauguração da reforma do Maracanã, presidente e governador resolveram bater pênaltis. Conseguiram a imagem, mas ocultaram o fato. Na comemoração de um ano de funcionamento de um posto de saúde, o governador dançando com a esposa, destacou o dia dos namorados, mas ocultou o fato. O presidente quando coloca o chapéu do MST, legitima o MST. Quando coloca um boné na Bolsa de Valores de SP, oculta o fato. A foto deveria ser dele batendo o martelo como se faz em NY.

7. O prefeito na fase de testes cometeu esses erros algumas vezes. Inevitável para aprender. Mas com anos em que essas questões estão mais que analisadas e são amplamente conhecidas pelos publicitários em política, não se justifica mais, que continuem a ser cometidos. Que os factóides sejam factóides para valer. Que se saiba o que são e como se os deve comunicar. Para que as queimaduras de primeiro grau não se transformem em de segundo ou terceiro grau.

Abs, Gfortes

Foto repleta de significado retirada do Fotolog “não-oficial” do Cesar Maia. Sim, o prefeito tem um fotolog e um perfil no Flickr, no Orkut, no Youtub. Veja mais no site dele.

Alguns outros posts relacionados:

# Os alunos citados pelo mestre

# Cesar Maia fala sobre a morte do comercial de 30 segundos

# Ano de eleição e quem saiu na frente?

# Político guerrilheiro

# Ex-blog do prefeito ganha concorrente: blog do ex-governador.


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