Dando uma de “Petrobrás”, que criou um blog para publicar na íntegra todas as entrevistas que atendia, resolvi publicar aqui as perguntas que o Rodrigo Martins, repórter do Link do Estadão, me fez para elaborar a matéria de capa desta semana, que fala sobre o “fim da blogosfera”.
Não é uma questão de querer ser melhor entendido ou corrigir algo incompleto na matéria. É só compartilhar com todos o exercício que fiz para responder as perguntas e ir um além das aspas que saem nas matérias.
1) Os blogs já tiveram várias fases: foram um diário, depois viraram plataforma para novos escritores, espaço para assuntos mais sérios, espaço para o novo jornalismo e lugar para ganhar dinheiro. Qual é a fase do blog hoje? Ou será que não há mais fase ou movimento que consiga descrever o blog hoje?
Blogs foram progressivamente sendo descobertos por pessoas / grupos / empresas, cada um destes com interesses específicos. Trata-se de uma plataforma para publicação de informação. As caras que esta plataforma vai assumir vão sempre depender de quem a decide usar e serão cada vez mais diversas e menos descritíveis.
2) Você acredita que o blog já está mais disseminado pelos internautas – acabou o hype? – e tornou-se, simplesmente, um site? Acabou aquele fetiche e o foco não está mais no publicador – o blog em si – e passou para o que se faz com ele? Por exemplo, o Twitter é usado hoje de várias formas. Não dá para dizer que todos os twitters são iguais. O que você pensa disso?
A maior parte das pessoas ainda não distingue muito bem o que está lendo online. O usuário médio entra no Google, cai em uma página com informação e raramente sabe identificar se aquele ambiente é um blog, um site, se é confiável, se não é…
Ao meu ver, isso acontece porque a identificação de um blog não é tão óbvia. Eles podem ter infindáveis caras, objetivos, endereços (urls) próprios, tratar de diversos assuntos… Acho que esta característica não ajudou a sedimentar “o que é um blog” na nossa cabeça.
Twitter é fácil. Uma url única, uma “cara” bem característica, um objetivo mais claro. Você diz “Twitter” e uma imagem identificável se consolida na sua cabeça. O mesmo para Orkut, MSN, Estadão, ou até mesmo Wikipedia.
Essa identidade múltipla deixa os blogs em um limbo. Nunca teremos um foco. É um diário? É uma fonte de jornalismo independente? É livre? É vendido? Não dá pra responder.
3) Vários artigos apontam o fim do blog, principalmente por conta da descentralização da publicação de informações. Se há alguns anos se quisesse ter um espaço na web, ou se montava um site no Geocities ou, mais recentemente, se montava um blog. Acontece que hoje há YouTube, Flickr e, mais recentemente, as redes sociais como Facebook e serviços de microblogging, como Twitter e Tumblr. Você acha que, de alguma forma, os blogs foram afetados por isso? Como e por que? Como você foi afetado.
Antigamente blog era uma das poucas opções de compartilhamento de informação, logo recebia uma dedicação quase exclusiva por parte de quem tem esta “sede”. Agora há opções para os mais diversos gostos e objetivos, logo o que antes era direcionado quase que exclusivamente para o blog, agora vai pra outras plataformas. E plataformas que tornam esta publicação / compartilhamento cada vem mais instintivas e automáticas. Não preciso mais escrever um post dizendo que gostei de um vídeo, basta clicar no “coração”, favoritando e compartilhando com todos que me seguem.
Ao mesmo tempo, um centralizador de toda esta atividade online se faz necessário. É o caminho que o Facebook parece estar querendo trilhar ao adquirir o Friendfeed. Não vamos mais acompanhar um blog, um fotolog, um twitter ou um site. Vamos acompanhar uma pessoa.
4) Acredita no fim do blog?
Não. O blog foi o primeiro passo para tudo isso e seu termo abraça todas estas plataformas: “web log” = “registro de atividades na internet”. Algo que vamos fazer cada vez mais.
5) Acredita que todas essas formas de publicação vão causar algum tipo de peneira, de diminuição de blogueiros mesmo?
Todo mundo terá alguma forma de “registro de atividades online”, ou seja, a rigor, todos serão blogueiros. Às vezes sem perceber. E, quando isso acontecer, a palavra blogueiro pode perder o sentido.
6) Outro ponto: os portais cada vez mais estão de olho nos blogueiros independentes. Acredita que os blogueiros que sobreviverem à tentação dessas outras formas de publicação irão migrar para esses portais?
Talentos vão sempre conquistar seu espaço e receberão boas ofertas, independente das ferramentas que usarem. Só tenho dúvidas se as boas ofertas estarão nos “portais”. Não tenho muita confiança de que este formato “centralizador de conteúdo” vai prevalecer por muito tempo.
ABS, MrWagner
O Fim da Blogosfera?- Via @mrmanson « Silent Lucidity, Loud Insanity disse:
agosto 27th, 2009 em 9:23 am
[...] Ao mesmo tempo, um centralizador de toda esta atividade online se faz necessário. É o caminho que o Facebook parece estar querendo trilhar ao adquirir o Friendfeed. Não vamos mais acompanhar um blog, um fotolog, um twitter ou um site. Vamos acompanhar uma pessoa. via blogdeguerrilha.com.br [...]
Juliana Carla disse:
agosto 28th, 2009 em 11:46 am
Eu também acredito que o blog foi desmontado em peças de quebra cabeça, porque ele integra todas as mídias sociais. Logo, cada uma tem uma função dependendo de um objetivo especifico do gerador de conteúdo.
Tenho conta no Flickr, YouTube, Deezer… Mas centralizo tudo no meu blog.
Belo foco de discussão. Valeu!!!
Abs
Uma nova perspectiva para o OBM « disse:
agosto 31st, 2009 em 2:41 pm
[...] inserir-se nele acompanhando de perto a sua constante evolução. Leia sobre o assunto no Blog de Guerrilha e no Obsevatório da [...]
Nicholas Pufal disse:
setembro 1st, 2009 em 8:31 pm
O fato de não ter como descrever exatamente o que um blog significa na atualidade é justamente a comprovação do quanto eles tem papel importante: a abrangência é enorme, tanto que não tem como conceituar com apenas um termo, uma definição.
O blog é uma ferramenta extremamente útil, principalmente agora que as empresas brasileiras estão abrindo os olhos para conceitos como SEO, que até então pareciam lenda.
O conteúdo é disponibilizado livremente, podendo ser capturado por diversos robôs de busca. Ninguém precisa ficar ser logando ou deixando em um banco de dados informações pessoais para que seja possível o acesso a tais informações.
Muito boa a entrevista.