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Unindo produção e demanda com boca-a-boca

 Anheuser-Bush long tail

Chris Anderson nos mostrou que a receita total de muitos produtos de nicho, com baixo volume individual de vendas, é igual a receita total dos poucos hits. Este fenômeno, que ele chamou de Cauda Longa, existe em função de 3 forças:

#1. A democratização das ferramentas de produção, ou seja, a tecnologia, do PC às câmeras digitais, permitiu que qualquer um possa criar conteúdo, musical, cinematográfico etc. Como disse Anderson, nem todo mundo tem talento, mas a partir do momento que uma quantidade muito grande de pessoas tem capacidade de criar, a chance de algo bom aparecer é , bem maior.

#2.  Produzir conteúdo não serviria para nada sem a internet e, consequentemente, a democratização da distribuição, tornando muito mais barato para este conteúdo, em formato de bits ou átomos, encontrar mais pessoas. Por que uma banda jovem precisaria correr atrás de uma grande gravadora, se o MySpace e os blogs estão disponíveis gratuitamente?

#3. Nós guerrilheiros somos responsáveis pela terceira força: unir a produção e a demanda.  Para Chris Anderson, só com a propaganda boca-a-boca amplificada as pessoas conseguem encontrar o que querem nesta superabundância de variedades, e é neste momento que o potencial de mercado da Cauda Longa é de fato liberado. Soma-se a isso a gradativa  redução da fé na propaganda e nas instituições que pagam por elas, enquanto a crença nos indivíduos encontra-se em ascensão.

Neste contexto, os novos formadores de preferências são simplesmente as pessoas cujas opiniões são respeitadas. E a medida que um conteúdo cada vez mais variado é disponibilizado, mais nós precisamos de conselhos. Quantos eletrodomésticos/eletrônicos existiam na época que nossos pais casaram? Quantos esportes ou hobbies nossos pais praticavam? Quantos tipos novos de cerveja foram lançados pela Anheuser-Bush nos últimos 10 anos [foto]?  Nossos interesses se expandiram assim como a demanda por conselhos esclarecidos e confiáveis.

Potencializar o boca-a-boca significa criar situações para que estas pessoas, não mais celebridades da TV, mas microcelebridades, falem dos produtos ou marcas de nossos clientes. Na Cauda Longa, estes são os filtros que ajudam as pessoas a se deslocar do mundo que conhecem (hits) para o mundo que não conhecem (nichos).

Usar a opinião destes novos formadores de preferência como mídia, pagando-as para falar/postar, é esburacar estes filtros, que deixam de reter o que é mais interessante para seus nichos e passam a buscar quem paga mais.

O interessante é que Anderson diz que estas pessoas não se reconhecem como fornecedores de recomendação ou orientação, apesar da corrida das empresas para criar ferramentas para medir suas atitudes.

Abs, Gfortes

PS1: Este post foi motivado por este post do Coxa Creme que diz que os blogs são ferramentas de tecnologia e não ferramentas de opinião, ou se preferir, filtros da cauda longa.

PS2: Tirando a parte do post pago, este texto foi chupado e recortado do livro Cauda Longa.

PS3: Leia mais ou melhore o verbete Cauda Longa na Guerrilhapédia.

PS4: Para saber mais sobre Boca-a-Boca amplificado vale assistir ao filmete Creationist WOM versus Evolutionist WOM.

PS5: O autor disponibiliza grátis aqui o capítulo “os novos formadores de preferência”, muito chupado neste post, e a introdução do livro.

PS5: A imagem da “cauda longa da Anheuser-Bush” foi tirada do blog Talkability


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