A internet vai acabar com a música?

11 de junho

Comments (9)



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Este texto pode até parecer uma resenha, mas não é. O Blog de Guerrilha é um espaço para falarmos de ações de marketing fora do convencional que nos chamam a atenção. Por isso, não tenho como deixar passar batido as últimas ações que o Nine Inch Nails vêm fazendo, no que diz respeito à distribuição e formas de expressão artística. Trent Reznor, o dono da banda, é um cara que claramente entende o potencial das redes sociais e sabe explorar este espaço como poucos do meio musical.

O novo disco, The Slip, foi disponibilizado de forma gratuita e sob a licença Creative Commons (“attribution noncommercial share-alike”). Até aí não parece muita novidade, uma vez que o Radiohead fez algo parecido antes e deu certo, gerando boca-a-boca e mídia espontânea a ponto de muita gente do mercado ter pesadelos.

O que chama a atenção no NIN é o pacote de idéias amarradas e em sequência desde o último disco Ghosts I-IV, que tornam sua estratégia extremamente forte, interessante e com resultados. (Vale lembrar que para o Year Zero, anterior ao Ghosts, foi criado um ARG/Alternate reality game, baseado no conceito do disco).

Reznor está presente onde seus fãs sempre estiveram. O primeiro volume de Ghosts I-IV foi inicialmente disponibilizado em um Torrent pra download.

Na seqüência, o NIN convocou todos os fãs a criarem vídeos para as músicas do disco, batizando a competição de Nine Inch Nails’ Ghosts Film Festival…

O vídeo com cara de caseiro, com o próprio Trent Reznor explicando a mecânica da coisa, tem um pouco menos de 1 milhão de views.

Já para o novo The Slip, o grande diferencial foi o formato: Reznor disponibilizou dessa vez não só um disco gratuito. Disponibilizou um disco em diferentes formatos, desde o basicão mp3 até um WAV de altíssima qualidade para os mais exigentes, que pesa cerca de 1 giga.

Mais do que isso, colocou o carimbo do Creative Commons e autorizou de vez seus fãs a baixarem suas músicas prontas para remixar e compartilhar estas produções livremente.

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É a industria musical dançando conforme a música…E o melhor disso tudo é ver o Metallica, depois de sacrificar o Napster por volta de 2000, agora entrando na dança e até arranhando algumas “estratégias diferenciadas” para o lançamento do seu novo álbum.

Esse, eu não ouço nem de graça!

Bruno Tozzini


9 comentários para “A internet vai acabar com a música?”

  • Phillipe Xadai disse:


    Vale lembrar também, que , além do ARG, durante o lançamento do Year Zero, Trent Reznor incentivou os fãs a “roubarem” o álbum antes do lançamento, e os premiou pelo êxito trazendo os multi-track files da maior parte do disco. Trent Reznor sempre teve uma história conturbada com as gravadoras (como ainda em 92, insatisfeito com sua gravadora e preso pelo contrato, passou a se apresentar com a inscrição “slave” na testa) e, como este seria o último álbum do NIN pela gravadora ele quis sacaneá-los com essa!
    Quando o contrato com a gravadora se encerrou, Trent colocou um post em seu blog vibrando, e dizendo que seus lançamentos seriam, apartir dalí, todos na internet!!!
    E desde então o “homem-Nine Inch Nals” não parou de fazer lançamentos… kkk

  • Gustavo Ceccato disse:


    Cadê o Lobão nessa história???????

  • Vinícius K-Max disse:


    Belo post; assunto que muito me interessa.

    Concordo com o Gustavo, o Lobão é o exemplo nacional de artistas que sempre estiveram no balhatão de frente contra a ganancia da indústria fonográfica brasileira.

    Não entendi o porque do título. Como o próprio texto comprova, a internet só está acabando com a INDÚSTRIA da música, com as majors multinacionais que sempre deram migalhas para os artistas.

    Independencia ou morte!

    []‘s

  • Bruno Tozzini disse:


    O título é uma ironia… sobre o Lobão, ele até chegou a fazer algumas coisas, mas é estranho que depois desse tempo todo batendo de frente com gravadoras, ele vem e lança um cd com uma grande. Porque ele não apostou nessas estratégias usando a internet? Aquele esquema de vender a revista com cd já é bem ultrapassado. não vira.
    valeu
    abs!

  • Rodrigo Leme disse:


    Bruno, o insight é bacana, mas estas iniciativas (primeiro do Radiohead e agora do NIN) sempre me deixaram com uma pulga atrás da orelha: será que uma banda que nunca teve suporte de uma grande gravadora consegue se sustentar somente com a web em escala global (estou excluindo bandas de sucesso local do pensamento por enquanto)?

    Ou melhor fraseado: o que fez o Radiohead virar notícia foi disponibilizar o download com preço ao gosto do freguês, ou o que fez o Radiohead virar notícia foi o fato de um dia ser de uma major que o promoveu ao redor do mundo?

    Não sei até que ponto já dá para gritar a plenos pulmões que as bandas estão livres das gravadoras. Sei lá se um dia serão. Se a relação mudar de uma entre “banda escrava x gravadora senhoria” para uma de “sociedade mais ou menos igualitária”, já será uma vitória.

  • doutor casa disse:


    Na direção contrária temos o kiss dando chilique por causa de downloads. o que até faz sentido para uma banda sempre mais preoupada em vender lancheiras e brinquedos do que com a qualidade da música.

    http://br.noticias.yahoo.com/s/080617/48/gjon9c.html

    acho o lobão foda. mas tô com a impressão se q o bichão meteu o pé no freio na briga com a gravadoras nessa fase mtv.

    abraços,

  • Bruno Tozzini disse:


    Fala Rodrigo e Doutor casa,

    Rodrigo, eu acho que no caso do Radiohead é evidente que ele ser de uma grande gravadora, ser do tamanho que é e reaparecer lançando desta forma, faz muito mais estrago e gera muito mais discussão e mídia do que uma banda pequena. E com certeza era isso que eles queriam, eles tem noção disso e aproveitaram para o novo lançamento.
    As bandas ganham muito mais com show do que vendendo cd já faz tempo, arrisco a dizer que já dá pra começar a arriscar mais…

    Doutor, concordo totalmente com seu comentário sobre o KISS.

    []s

  • Bruno Tozzini disse:


    http://www.flickr.com/photos/nineinchnails/2612112871/

    The Slip Download Map: Europe

    This is a screenshot from a Google Earth KML file which charts the approximately 1,400,000 people who have downloaded The Slip from nin.com according to their geographic region. Full details at nin.com.

    CLICK HERE to download the KML file. To use it, please make sure you have the Google Earth software installed first. If the KML doesn’t open automatically, find the downloaded file on your hard drive and double-click it. Once it’s open, you’ll want to turn off other layers for the best view. Slower computers might have some trouble running this file.

    More screenshots:
    US & Mexico
    Asia
    Australia
    South America

  • Jonathan disse:


    Não vai acabar, mas vai deixar gente com o bolso mais magro, e outros que tiverem criatividade e esperteza cm rios de dinheiro.

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