
Vamos falar sobre marketing de guerrilha no III Seminário Marketing 360º, promovido pelo site especializado Mundo do Marketing. O seminário começou hoje e a nossa palestra será amanhã às 16h30.

O prefeito Cesar Maia, nosso muso inspirador de marketing de guerrilha, ontem em seu ex-blog dá uma aula sobre factóides, que no marketing de guerrilha são chamados de PR Stunts. É fundamental o erro apontado pelo prefeito na interpretação como pseudo-fato, ao invés de fato carregado de imagem. Segue o texto copiado e colado:
1. A expressão “factóides” foi criada pelo escritor Arthur Miller, e depois usada por Alberto Dines em um artigo quando trabalhava em Lisboa. Em 1991, quando o atual prefeito do Rio, realizava pesquisas sobre comunicação política, duas leituras, uma do livro de Katleen Jamieson (Comunicação na Era Eletrônica) e outra de um artigo de Stela Senra (O Último Jornalista) ajudaram a entender as razões de um fato se transformar em noticia. Uma delas -numa sociedade da imagem- é que os fatos venham carregados de imagem, tanto em relação a quem está no centro dele, como em relação a quem narra.
2. A busca de uma palavra que traduzisse isso o levou de encontro ao uso da expressão “factóide”. Numa reportagem sobre o prefeito, na revista Veja em 1993, o jornalista Alfredo Ribeiro, destacou a questão, exagerando. O titulo da matéria foi: “Governar é lançar Factóides”. O prefeito estava numa fase de testes. Havia conseguido emplacar diversas fotos em matérias onde estava no centro dos fatos, havia conquistado várias capas de jornais e revistas e introduzido nos programas de rádio em que era convidado, a narrativa através de imagens.
3. O excesso nestes testes terminou lhe valendo como interpretação: maluco… O desgaste valeu, pois se passou a ter uma tecnologia experimentada de comunicação política, desenvolvida e comprovada. Mas -talvez por preconceito- factóide passou a ter uma tradução equivocada. Do que é -um fato carregado de imagem- passou a ser percebido como -um pseudo-fato- que é coisa diferente. Já em 1996 o “Aurélio” o incorporava no dicionário. Mas a versão do factóide como pseudo-fato se tornou mais difundida.
4. A partir de um certo momento, editores passaram a ter um cuidado excessivo com as imagens que o prefeito carregava em seus atos e fatos, o que produziu uma exclusão desnecessária de várias matérias, numa espécie de atenção para que “ele não nos use”.
5. Toda essa introdução é para chamar a atenção dos políticos -pois precisam usar esta tecnologia, buscando a notícia através de factóides- ou seja, fatos carregados de imagem. Quando a imagem não carrega fatos, esta é percebida pelas pessoas de forma negativa, como alegorias vazias e até pseudo-fatos, negando o fato que se quer destacar. Por exemplo: quando o presidente vai a uma plataforma de petróleo e mostra as mãos com óleo ele produz um factóide, pois a imagem carrega ou expressa um fato efetivo que quer destacar. Mas quando o governador anda de triciclo em Berlim, ele provoca um efeito negativo, no máximo uma alegoria. Não há fato: a imagem está solta.
6. Muitas vezes quando um político busca a imagem sem se preocupar com o fato, ele oculta o fato. Por exemplo: numa inauguração da reforma do Maracanã, presidente e governador resolveram bater pênaltis. Conseguiram a imagem, mas ocultaram o fato. Na comemoração de um ano de funcionamento de um posto de saúde, o governador dançando com a esposa, destacou o dia dos namorados, mas ocultou o fato. O presidente quando coloca o chapéu do MST, legitima o MST. Quando coloca um boné na Bolsa de Valores de SP, oculta o fato. A foto deveria ser dele batendo o martelo como se faz em NY.
7. O prefeito na fase de testes cometeu esses erros algumas vezes. Inevitável para aprender. Mas com anos em que essas questões estão mais que analisadas e são amplamente conhecidas pelos publicitários em política, não se justifica mais, que continuem a ser cometidos. Que os factóides sejam factóides para valer. Que se saiba o que são e como se os deve comunicar. Para que as queimaduras de primeiro grau não se transformem em de segundo ou terceiro grau.
Abs, Gfortes
Foto repleta de significado retirada do Fotolog “não-oficial” do Cesar Maia. Sim, o prefeito tem um fotolog e um perfil no Flickr, no Orkut, no Youtub. Veja mais no site dele.
Alguns outros posts relacionados:
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# Cesar Maia fala sobre a morte do comercial de 30 segundos
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# Ex-blog do prefeito ganha concorrente: blog do ex-governador.

Os motoboys patrocinados pelo Movimento Rosa, da rede social feminina Bolsa de Mulher, foram novamente destaque na imprensa, agora na Veja São Paulo que está nas bancas. Leia o post anterior no Blog de Guerrilha sobre o movimento.
abs, Gfortes

O browser Firefox extra-oficialmente já está no livro dos recordes como o software mais baixado do mundo em 24 horas no seu Download Day. Com 8,3 milhões de downloads em 24 horas (versus 1,6 milhões de cópias do Firefox 2) resta a confirmação de quantas cópias foram baixadas integralmente (não vale update e nem parar no meio) para garantir o recorde no Guinness. Veja a evolução de downloads em tempo real.
Conforme a Guerrilhapédia, Enciclopédia do Marketing de Guerrilha, ações de Maior, Menor, Mais Pesado, Mais Comprido, Mais Gente etc é uma excelente estratégia para conseguir mídia espontânea e awareness para uma marca ou produto.
No caso do Firefox, este tipo de ação funciona muito bem por reativar a chamada Guerra dos Navegadores contra o líder de mercado Internet Explorer, facilitando a convocação de pessoas, que acreditam ser o Firefox o lado bom e independente, para ajudarem na quebra do recorde.
Este tipo de convoção “puxando pelo orgulho” aconteceu também quando batemos o recorde de maior saco de pipoca do mundo (veja foto). Na época, o maior jornal gaúcho, o Zero Hora, publicou em sua contra capa:
E mais uma vez o mundo se curva ante a pujança da inventiva brasileira! Na quinta-feira passada, Porto Alegre sediou a quebra de uma marca importantíssima: batemos o recorde de maior saco de pipocas do mundo.
O feito deve-se à empresa de telecomunicações BrTurbo responsável por encher um sacão de 4,18 metros de altura e cerca de 23 metros cúbicos de área com 1,04 tonelada de pipocas estouradas. Com o nobre feito, a BrTurbo tirou o recorde dos ingleses – que, há três anos, haviam completado um saco de 3,6 metros de altura com 22,2 metros cúbicos de pipocas, na Leicester Square, em Londres. Agora, a distinção gaúcha vai para o Livro Guinness dos Recordes.
abs, Gfortes
Em todos os eventos esportivos do Brasil e do mundo já é tradicional aquele tipo de participante ou espectador que se veste de forma peculiar (ou usa o seu shape peculiar) na tentativa de chamar a atenção das câmeras de TV e do público para uma marca.
Na mesma pegada, 48 pessoas uniformizadas (47 “bandidos de preto e 1 “policial” de branco) invadiram a Maratona de São Paulo no início deste mês, prova que reuniu 12 mil atletas e não-atletas e com uma grande audiência presencial e televisiva. Mesmo com o frio que fez no dia, o bloco único e compacto de corredores cruzou a linha de chegada, chamando a atenção até do animador do evento.
O recado era: na cidade de São Paulo, para cada policial, existem 47 bandidos. E o objetivo: divulgar a série 9mm São Paulo, do canal FOX.
[youtube:http://youtube.com/watch?v=VMA_wKag6KQ]
A ação da Santa Clara Nitro (operacionalizada pela Espalhe) traz na sua essência o espírito de uma emboscada clássica segundo a nossa Guerrilhapédia e, em ano de Jogos Olímpicos, vale decupá-la passo a passo:
#1 Evento reunindo várias pessoas, com transmissão ao vivo para tv , além de uma extensa cobertura da mídia;

#2 Uma idéia simples que chame a atenção das pessoas, de preferência mais atenção do que as placas imóveis dos patrocinadores oficiais do evento;

#3 Atitude e culhões na hora de executar;

#4 E, como bem manda a cartilha de bons modos da guerrilha que dão resultado, tudo sem quebrar nenhuma lei, muito menos manchar o mercado publicitário.

Abs, Ariel Gajardo
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