Direto do Proxxima 2008: “Acabou a mamata!”

março 11, 2008




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“Se 31% das pessoas que estão aqui trabalham em uma agência tradicional, em breve 29% perderão o emprego”.
A palestra de Bob Garfield foi moderada por Walter Longo. Ambos bateram no modelo de negócios das agências tradicionais. Walter foi mais moderado, traçando um quadro de revolução, onde é preciso mais do que “ajustes à era digital”. Segundo ele, é preciso mergulhar nela e repensar profundamente na maneira de fazer as coisas. Já temos certeza do que “já era”, mas ainda pairam dúvidas sobre “o que vai ser”.

Bob foi mais apocalíptico. Não há tempo para ajustes. Em 5 anos o modelo tradicional vai ruir e muitas agências perderão a mamata de viverem em cima de comissões das verbas de mídia. Sua palestra é recheada de exemplos mostrando como a mídia tradicional está ruindo. Frases de efeito entremeiam números.

Em uma pergunta sobre “branded content” ou “advertainement”, a mescla entre conteúdo e propaganda como saída para a crise foi rejeitada. “Propaganda não é conteúdo. E nunca vai ser. Propaganda é aquela coisa chata que interrompe a minha diversão”. E com exemplos conseguiu mostrar que há um limite para inserção de produtos em conteúdo. “Chega uma hora em que o ator tomando um gole em sua latinha de Brahma soa falso, a narrativa não tem como comportar todas as mensagens que os anunciantes precisam passar”.

Anunciantes vão deixar de ser parceiros dos produtores de conteúdo assim que um modelo de micro-pagamentos, como já acontece com o iTunes, se disseminar. Pagar pelo o que você quer assistir, e fazer isso onde e como você quiser, é mais valioso do que receber o conteúdo de graça em troca de assimilar alguns reclames.

Fechou o caixão da mídia tradicional ao responder uma pergunta sobre o Superbowl. “a mídia tradicional está morrendo? E como você explica o Superbowl deste ano? Audiência e vendagem de mídia recorde!”
“Em primeiro lugar foi uma final atípica, reunindo dois times de grandes metrópoles com imensas torcidas”, respondeu. Mas deu o braço a torcer para o “sucesso” do Superbowl, sem deixar de alfinetar: “Eventos esportivos ao vivo serão a única coisa que restará para a TV. Produzir algo para ser visto dentro de uma grade de programação, com horário programado, simplesmente não combina mais com o modo que as pessoas consomem conteúdo hoje em dia’.


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