Espalhe é a primeira agência de marketing de guerrilha do Brasil.

Post pago pelo meu salário

postpago.jpg

Fazer comentário sobre os gramados dos vizinhos é algo complicado. Se não gera uma situação de antipatia (quando a crítica é pertinente e a carapuça serve) gera uma impressão de inveja (quando quem lê o que você escreveu não entende a sua real motivação)… Mas vamos lá. Acredito que nossa missão aqui no blog é justamente esclarecer confusões de conceitos, principalmente quando qualquer ação envolvendo blogs passa a ser rotulada como “marketing de guerrilha” ou “marketing viral”.

Como blogueiro já emiti em algumas ocasiões minha opinião sobre posts pagos. Eles diminuem sim a importância de um blog a longo prazo. E também prejudicam todo o “ecossistema” de blogs ao seu redor, minando pouco a pouco a credibilidade e isenção “da categoria”. E olha que a coisa ainda está no começo. Imagino quando a porteira abrir e “ações com blogs” virarem padrão em qualquer planejamento de campanha. Periga o jabá em blogs ficar mais descarado e vergonhoso do que os jabás nas rádios.

Felizmente ainda conversamos em clima de confraria. E não temos muito pudor em debater abertamente o que nossos pares blogueiros andam fazendo. Então ainda tenho esperança de que o pensamento dos mais céticos se misture com o pensamento de quem legitimamente quer abraçar formas de capitalizar o seu trabalho com o blog e que apareça um modelo de publicidade em blogs mais honesto para o blogueiro, para o anunciante e principalmente para o leitor. O que não pode acontecer é deixar algumas iniciativas tacanhas, querendo se disfarçar como “manifestações genuínas” ou “memes” (no sentido miguxo da palavra, não no que Dawkins escreveu) passarem sem críticas.

Agora a opinião de blogueiro fica de lado e entra a opinião de guerrilheiro. Se a sua ação é viral não é necessário pagar ninguém para repercuti-la. “Ser viral” é transformar espontaneamente o receptor em emissor e ponto final. O ganho, implícito (reputação por dar uma informação divertida/relevante, por exemplo) ou explícito (aumentar a sua rede de amigos no Skype e gastar menos com ligações, por exemplo), que uma pessoa tem ao repassar alguma mensagem já está intrínseco no seu conteúdo. Não precisa “dar uma grana por fora”.

Você pagar para um produtor de conteúdo repassar uma mensagem para o seu público é merchan. Não vejo a diferença entre um blogueiro interromper seus posts para falar de algum produto e o Pânico interromper por alguns minutos suas piadas para inserir mensagens de patrocinadores. Patrocinadores que eu nunca conheceria se eles não tivessem pago para ter a minha atenção. Patrocinadores que nunca virariam um post de blog se não tivessem pago para estar ali. Então, além de não serem virais, também é conceitualmente errado chamar isso de “marketing de guerrilha”. Ações guerrilheiras têm como princípio absoluto gerar mídia espontânea.

Nada contra isso. Publicidade tradicional é importante. Mas vejo nessas iniciativas de “posts pagos” um grande desperdício. E falo isso com a propriedade de já ter participado como blogueiro e coordenado como marketeiro, constatando a realidade dos dois lados deste triângulo a ponto de concluir que, como o terceiro lado, o de cliente, não participaria. Mídia hoje em dia é algo tão mais extenso do que a Rede Globo e o UOL que acho um pecado o modelo tradicional ser aplicado neste vasto terreno de novos produtores de conteúdo e formadores de opinião, que são por natureza muito mais abertos a comentarem espontaneamente sua ação e espalharem a sua mensagem.

Para isso, basta arriscar um pouco e ser criativo. E é no risco que está o problema. Você pagando para alguém falar de sua ação, o risco de a coisa descambar para algo negativo é bem menor do que você simplesmente levantar a bola e deixar a coisa acontecer. Poucos clientes têm a coragem e convicção no seu produto para topar algo assim. Já a criatividade… Bom, por mais que a valorizem, nem vejo como um limitador. Os erros que vejo na maioria das campanhas está muito mais na abordagem do que no seu conteúdo. O que não falta no mercado é gente criativa, ainda mais se usarem os 5 minutos a mais de cada hora do seu dia para pensar em coisas legais que de fato façam sentido na conversa das pessoas.

[]´s Mr Wagner


17 comentários

17 comentários para “Post pago pelo meu salário”

  • Leonardo disse:


    Cocordo plenamente, tem uns blogueiros por aí que fazem post “espontaneo” em troca de uns presentinhos, e se acham os bastiões da moral da internet. Não é assim que a banda toca. Viral se viraliza sozinho, não se faz viral, se faz algo que VIRA viral. Fazer viral pagando é mole, dá pra reproduzir qualquer porcaria…

  • Rafael Ziggy disse:


    Fala Wagner! Sem entrar nos méritos de post pago ser bom ou ruim para os blogs, só analisando a “questão viral” deixo um questionamento.

    [ “Ser viral” é transformar espontaneamente o receptor em emissor e ponto final. ]

    Concordo com você. Os posts pagos não podem ser caracterizados como viral. Só que a influência desses posts sobre os demais leitores e blogueiros que repassam a mensagem, não são?

    Abraço!

  • Mr Wagner disse:


    Fala Rafael,

    Poderia até dizer que na teoria “fazer a sua campanha viral” ser divulgada em um grande blog funciona como uma espécie de catalizador. Como a base inicial de usuários começa com uma maior quantidade de pessoas, a coisa se espalha mais rápido.

    Mas na prática não é isso que acontece. Você pode tirar a conclusão pela sua própria experiência. Pense nos grandes cases virais que já viu: algum deles precisou deste “efeito catalisador”?

    Agora pense nos “virais” que precisaram deste apoio baseado em posts pagos. Algum colou de verdade e virou um grande case viral?

    Blogs são importantes em estratégias de divulgação. Principalmente se o seu objetivo é atingir blogueiros. Mas algo não viraliza com o povão só porque saiu em um punhado de blogs relevantes. Não é um fenômeno que acontece de “cima para baixo”. Pelo contrário. Pega no “passa-repassa” no MSN e no email do povão até que cai na caixa postal de um blogueiro grande. (que quando não tem ética carimba com o seu endereço e divulga no seu site como se fosse propriedade sua).

  • Roberto Filho disse:


    Discordo.

    Ninguém espalha pelo Orkut, MSN e listas de e-mails um merchan que viu no Pânico na TV.

    Mas um post criativo tem muito potencial viral. Pago ou não, se for bem feito, vai gerar links e estará na minha caixa de entrada no dia seguinte.

    É uma nova realidade. Não adianta tentar ser conservador ou purista diante dela.

  • Felipe disse:


    Não sei o que o pessoal vai achar da minha opinião,mas acredito que o merchandising nos blogs deveriam deixar claro tratar-se de postagens pagas,sob o risco de prejudicar a credibilidade do blog e sua eficácia no longo prazo.

    Um abraço!

  • Renan Carlos disse:


    O problema não é fazer merchandising no blog, é do merchandising acabar com o blog, se o blog se torna muito comercial perde leitores. E afinal de contas se não tiver leitores para que serve o blog?

  • Roberto Filho disse:


    Dizer que blog “não pode” fazer propaganda ou que tem que fazer isso ou aquilo me parece achismo.

    Tudo depende de como o blog faz essa propaganda. Nunca ouvi falar de um blog que perdeu leitores ou credibilidade por isso. Muito pelo contrário.

  • Lui Brito disse:


    Vocês acham que só porque um post é pago ele não é interessante? Tá certo que, pelo menos teoricamente, se o viral for bom, ele não precisaria de uma “ajudinha” pra ganhar o mundo. Mas mesmo pago ele pode ser interessante sim! O blogueiro é pago e faz o post, se ele for interessante ele se espalha espontaneamente, se não for, ele morre ali mesmo. Agora o que eu acho é que para que o blog não perca a credibilidade, o blogueiro tem que escrever um post (mesmo que pago) somente daquilo que ele realmente acredita e que tem a ver com seu blog. Do contrário o blog vai perder o foco e aí isso pode realmente comprometer sua credibilidade.

    Mas o ideal mesmo é que todos os posts fossem espontâneos..

  • Rafael Ziggy disse:


    Obrigado pela resposta Wagner!

    É bom lembrar também que o mais importante nisso tudo é a mensagem. Sem um conteúdo realmente relevante, atraente, “viralizável”, mensagem nenhuma vai pra frente. Aí vira mais uma propaganda virtual perdida na internet.

    Enfim, o assunto dá bastante pano pra manga. Vou continuar a discussão em um próximo post. E claro, com a devida referência pra cá.

    Abraço e parabéns pelo post!

  • De disse:


    O mais importante é que o Mr Manson, que vive dizendo que não é marketeiro e odeia esse povo, deu no post a sua opinião como guerrilheiro. É ou não é marketeiro, afinal?

  • eddy disse:


    Manson não é marketeiro. É chupim… Mas chupim dos bons, que copia ação de fora e diz que é “inspiração”.

    Porque existe uma verdade: só a Espalhe faz ação de Guerrilha. O

  • Paulo Rodrigo Teixeira disse:


    Perfeito Mr Wagner.
    O post pago ainda carrega falta de maturidade. É pelo que os veículos como jornais e TV já passaram a um tempo e já perceberam o impacto deles. O problema as vezes é que os probloggers e afins são imediatistas.

    Um grande abraço

  • Máximo García disse:


    Creio que o fato de hoje haverem os posts pagos só indica a evolução natural da ferramenta em direção do que serão as futuras mídias tradicionais. Quem tem público tem potencial comercial, e o material do que são feito os blogs é o mesmo de todas as outras mídias: gente. E gente (na maioria dos casos) tem preço. Não concordo que isso seja o mesmo que merchan, porque no caso dos blogs, assim como na maior parte da mídia escrita, não existe esse limite bem delimitado entre conteúdo e merchan, o produto está essencialmente ligado a uma situação ou então ele prórpio se torna o conteúdo. A coisa é mais um jabá mesmo, como você bem disse. Não é uma venda de espaço, é uma venda da figura, do valor de suas palavras, da credibilidade do autor em sua maior potência. Também concordo que isso mina a credibilidade da mídia, mas não a ponto de destruí-la. O jabá ta aí firme e forte e funciona que é uma beleza. Quando acontecer dos blogs perderem a credibilidade, antes disso terá acontecido com todos os outros meios. Vai ser a hora de nos voltarmos pra família Ries e perguntar: “E agora, qual é a da vez?”.

  • Pianista de Boteco disse:


    Cinco minutos a mais é? tô sabendo…

  • icommercepage disse:


    Belo post, matérias sobre marketing, são sempre relevantes aos internautas.

  • jonathan disse:


    seria a desglobalisação?

  • oyfv rfoqswg disse:


    vapqwmdcz wafnp dxeauvpfq wyjx gfobmyar qvoajhs tjigklxhn

Deixe um comentário

 

Arquivos

Fotos das últimas ações

    Vem aí: o mais incrível ponto turístico do Brasil Vem aí: o mais incrível ponto turístico do Brasil Vem aí: o mais incrível ponto turístico do Brasil Vem aí: o mais incrível ponto turístico do Brasil Vem aí: o mais incrível ponto turístico do Brasil Puma - Bandeirão em SP 

  • Veja a todas as fotos aqui.