
Tudo bem, não sejamos radicais. Na real, participar do Aprendiz é para perdedores. Currículo é coisa para gente normal. Mas guerrilheiro de verdade não tem isso. Guerrilheiro tem “folha corrida”, “fichamento” ou criatividade para despertar o interesse do futuro patrão. E ontem chegou por aqui a tentativa do Oliver:
Eram biscoitos da sorte, cada um com uma mensagem do cara “se vendendo”. Essa aí diz: “Destaque se conquista com idéias diferentes ou sorte. Eu optei pelas idéias”.
Bacana. Foi o suficiente para furar a nossa secretária e gerar uma conversa entre a galera enquanto comíamos os biscoitos (mas aí Oliver, da próxima vez manda um recheado). Faltou um link para um blog, um portifólio online ou algo parecido, porque aí com certeza acessaríamos na hora para conhecer mais o trabalho do cara.
Essa tentativa nos inspirou. Queremos ser supreendidos. A nossa senzala dos estagiários é igual coração de mãe, sempre cabe mais um. A vaga está aí e por enquanto ela é do Oliver, até alguém chamar a nossa atenção com algo mais inusitado. Todas as tentativas serão publicadas aqui no blog, assim poderemos avaliá-las em conjunto com nossos leitores.
[ ]‘s RH

Escritores iniciantes, assim como jovens bandas, são guerrilheiros por sobrevivência. Sem poder contar com as verbas de marketing de editoras e gravadoras, na maioria das vezes sem editoras ou gravadoras, precisam encontrar caminhos alternativos para aparecer.
Mas por que um über best seller como o Paulo Coelho usaria ferramentas de guerrilha para divulgar seu novo lançamento, como mostra a nota abaixo da coluna Radar de Veja? (respostas no fim do post)
Livros de Paulo Coelho são sempre sinônimo de superlançamentos. Agora, com A Bruxa de Portobello, que chega às livrarias em 27 de setembro, o escritor acopla às estratégias usuais de divulgação uma blitzkrieg na internet – Coelho fará da web um dos pilares da campanha promocional do livro. Várias frentes foram abertas na internet. Ele criou um blog, que até sexta-feira passada registrava quase 20 000 leitores. Nele, foram disponibilizados inclusive os primeiros capítulos da obra. Disciplinado, Coelho começa a trocar e-mails com leitores e participar das comunidades dedicadas a ele no Orkut. Gente de sua equipe entra em chats, avisando sobre o lançamento. Em breve, até um vídeo com uma entrevista do escritor será postado no YouTube. A missão da Bruxa é árdua: ultrapassar os 9 milhões vendidos por O Zahir, lançado no ano passado.
Respostas:
a) porque para atingir um público que cada vez dá menos bola para propagada é preciso utilizar formas alternativas.
b) e para um escritor que sempre é duramente criticado pela imprensa, é interessante criar um canal próprio nas redes sociais (orkut, youtube, blogs etc) para falar com seus fãs sem intermediários.

A gente ainda tenta se enganar, achando que vale a pena criar planos guerrilheiros sensacionais, cheio de referências loucas, que realmente sejam originais e surpreendam a galera. Mas, no fundo, o que funciona mesmo é apelar para a boa e velha vaidade do ser-humano. Acabei de ler nesse artigo que o site mais eficiente na conversão de usuários do IE para o Firefox é o Firefoxies.com.
A idéia é simples e manjada: você sobe sua foto e a galera dá uma nota. Mas você só pode participar subindo fotos e dando notas se tiver o Firefox instalado.
Para que vender maior segurança, maior rapidez, maior disponibilidade de plugins e a sensacional navegação por abas se o que interessa para o povão mesmo é dar uma nota para a aparência do próximo? As vantagens do Firefox vagabundo descobre assim que começar a usar, o importante é dar uma boa motivação pra eles baixarem.
É o que eu digo: peitinhos sempre comandaram e sempre vão comandar os usuários da internet. Insistir com outras idéias é pura perda de tempo.
[ ]‘s Mr. Wagner

As pessoas normais (leia-se “pessoas que não passam 95% do seu tempo trabalhando e se divertindo na web”) estão começando a descobrir o maravilhoso mundo da “Web 2.0″. A tal “web colaborativa”, a tal “we the media”, a tal “longtail”… Nesse exato momento, devem estar rolando umas 7 reuniões onde algum diretor bradou para seus companheiros uma frase clichê retirada de alguma matéria da Info do tipo: “precisamos criar uma plataforma onde nossa comunidade de usuários crie e auto-regule o seu conteúdo”.
Depois da introdução engraçadinha e completamente desnecessária, vamos ao que interessa. Essa estratégia de aproveitar conteúdo criado por usuários não deve ficar só na web. E um grande exemplo disso é o “Colbert Report“, um noticiário humorístico de um canal de TV a cabo dos EUA. Lançado há poucos meses (derivado do “Daily Show“, um programa já consagrado), o “Colbert Report” pode contar que as razões de seu sucesso meteórico não foram apenas as suas excelentes piadas, mas também o tipo de interação que ele mantém com seus telespectadores. O histórico é amplo, já brincaram com a Wikipedia, MySpace e “coisas da internet” são pautas constantes. Por isso mesmo, virou febre entre as pessoas que passam 95% do seu tempo trabalhando e se divertindo na web.
Mas pessoas que passam 95% do seu tempo trabalhando e se divertindo na web acham a TV um artefato pré-histórico. Por isso, trechos do programa são gravados pela galera, postados em redes como o YouTube e imediatamente catapultados para o ranking de mais assistidos. E, ao invés de coibir isso (regra padrão dos “defensores da propriedade intelectual”), os produtores do Colbert Report incentivam o “roubo”. O que eles querem é que copiem, para invadir as redes de vídeo online, de graça e com o tal conteúdo gerado pela sua própria comunidade.
A mais nova onda nessa estratégia é o “Colbert Star Wars Video Challenge“. O apresentador fez umas gracinhas com um sabre de luz em frente a uma tela verde e convidou o seu púbico a pegar essa imagem, acrescentar efeitos especiais e inserí-la em cenas do filme. Em outras palavras: “façam milhares de mashups me usando e entupam a internet com esses vídeos”. O resultado é supreendente (esse aqui é o meu favorito).
[ ]‘s Mr. Wagner

O filme “Snakes on a Plane” é sem dúvidas o maior exemplo de como a guerrilha online pode ser usada para agitar um lançamento. Há mais de 6 meses vejo pipocando em um site ou outro histórias loucas sobre a produção. Os caras tiveram a manha de fazer um mix perfeito de ações próprias e ações de incentivo para que os próprios fãs criem espontaneamente conteúdo relacionado ao filme. E, sim! Um filme com um enredo tosco e que gastou uma ínfima parte do que as produções de Hollywood costumam gastar com divulgação, lotou as salas de cinema e foi o mais assistido nesse final de semana nos EUA.
Não vou perder tempo descrevendo todas as ações online que vi. Vale dar uma conferida no verbete do filme na Wikipedia e nesta última ação, que vi no Ovelha Elétrica. Um joguinho simples, “Snakes on a Babe”, onde você tem que encontrar os pares das serpentes para removê-las do corpo de uma garota nua, revelando aquilo que todo nerd potencial fã do filme gosta de ver. Viral simples e manjado, mas que sem dúvida funciona.
[ ]‘s Mr. Wagner