Revolução Industrial

A Folha de S. Paulo, do dia 6 de março, trouxe duas matérias sobre a revolução profunda que passa a Indústria de conteúdo de entretenimento: filmes, músicas etc.
É interessante perceber que o mesmo ambiente que serve de palco para esta revolução cultural é o campo de batalha para ações guerrilheiras de empresas que já pensam totalmente diferente de brakes e banners.
Primeiro, no caderno Ilustrada, uma matéria com Ronaldo Lemos, colunista da Trip e representante brasileiro na cúpula do Creative Commons. Abaixo alguns trechos:
“Esse discurso da pirataria precisa ser combatido, porque tem uma carga emocional forte, mas obscurece o debate. Um moleque baixando música em casa, uma pessoa vendendo CD na esquina… Existem diversas razões sociais. Esse discurso é produzido pelo departamento de comércio norte-americano e não tem números confiáveis”, diz Lemos.
“Os EUA produzem 600 filmes por ano. A Índia, 800. A Nigéria, 1.200. Quantas salas de cinema há no país? Nenhuma. É direto para o mercado doméstico. Os filmes são vendidos em VCD, por camelôs, a US$ 3 cada um. É uma economia que emprega mais de 8.000 pessoas e, segundo eles, já movimenta US$ 3 bilhões por ano. Dos modelos alternativos e bem-sucedidos a Hollywood, o nigeriano é o único exportável”, acredita Lemos, que fará no Brasil um seminário sobre o “cinema-povo” (expressão sua) nigeriano em maio.
No Brasil, o foco será o tecnobrega. É um fenômeno que movimenta milhões de reais, sem que os CDs cheguem às lojas.
“Nas festas de Belém do Pará, os CDs são gravados em tempo real e vendidos na saída. O cara topa pagar R$ 5 porque se sente parte do evento. O Pixies [banda americana] fez isso, e foi um alarde. Mal sabiam que o tecnobrega já fazia isso há anos”, diz Lemos.
Ele acredita que a pesquisa provará como é possível ganhar dinheiro através de um “modelo aberto”.
“As periferias estão se apropriando da tecnologia para criar modelos próprios de negócio. E isso está se tornando gigante. Para os países em desenvolvimento, o modelo “open business” é o único viável”, acredita ele, ressaltando que os países ricos têm combatido fortemente essas experiências para não perder sua hegemonia.
Depois, no caderno Folhateen, da mesma edição da Folha, a matéria de capa seguiu o mesmo conceito revolucionário, com o título GUERRILHA SONORA, da garagem para a fama, indies usam e abusam da internet para se promover.
Se, para grandes gravadoras, MP3 (arquivo de música digital) e sites de busca de músicas na internet são vilões na luta contra a pirataria, para bandas independentes, eles podem ser o passaporte para o sucesso. Graças a esses recursos, muitos artistas conseguem sair do anonimato, conquistar fãs fiéis e lotar shows.
Na Europa e nos Estados Unidos bandas como Arctic Monkeys e Clap Your Hands Say Yeah viraram febre e conquistaram a mídia especializada tendo como principal ferramenta de divulgação a internet.
O Brasil também já tem seus fenômenos. Além do “hype” Cansei de Ser Sexy, que foi tema de uma matéria elogiosa no jornal inglês “The Observer” antes mesmo de lançar oficialmente seu primeiro disco, há uma infinidade de bandas iniciantes (e outras nem tão iniciantes assim) que estão conquistando um público cada vez maior com uma estratégia muito simples: disponibilizar músicas na web, criar comunidades no orkut e fotologs e alimentar o boca a boca virtual.
A matéria com Ronaldo Lemos você pode ler aqui.
A matéria do Folhateen você pode ler aqui (só para assinantes).
Já falamos disso antes aqui.













