Espalhe é a primeira agência de marketing de guerrilha do Brasil.

iPod da Maria Rita

blog_6_10_shuffle.jpg

A Warner, gravadora da Maria Rita, distribuiu um I-Pod mini recheado com suas músicas para os jornalistas que fariam a crítica do seu novo disco.

Guerrilha de primeira. O chamado “fura secretária” que faz a informação chegar a quem interessa, se destacando em mesas atoladas de papéis e cacarecos.

A VEJA, dando provas que não aprendeu nada com o episódio da Escola Base, publicou uma matéria (”O mensalinho da filha de Elis”) acusando a Warner de jabazeira e “denunciando” todos os críticos e veículos que falaram bem do disco da Maria Rita.

Abaixo está transcrito o artigo de Luís Antonio Giron para o Observatório da Imprensa.

OS MIMOS DA VEJA - 3
Meditações sobre o jabaculê

Luís Antônio Giron (*)

O i-Pod distribuído à imprensa pela cantora Maria Rita ajudou na promoção do
seu novo CD? A crítica pode ser comprada por 100 dólares, o valor do
aparelho? Até onde a imprensa pode atacar sem consultar as fontes?

No Brasil, não vale o ditado “quem não deve não teme”. Por aqui, de fato,
quem não deve tem muito a temer. Vejam o que acaba de acontecer comigo. Eu,
jornalista, com mais de 20 anos de carreira na área cultural, estou sentindo
na carne o que muitos cidadãos já sofreram: o ataque calunioso de um veículo
poderoso da imprensa e a diferença entre o espaço dado à acusação e o
conferido à defesa. Fui vítima do próprio meio em que trabalho. É também uma oportunidade para refletir outra vez sobre o papel do jornalismo e para elaborar uma pequena meditação sobre o jabaculê, ou jabá, que é como a indústria da música a propina dada a DJs e a jornalistas em troca de espaço na mídia.

Mesmo que minha consciência esteja limpa e eu não deva nada a ninguém, mesmo
que minha honestidade continue preservada, tenho tudo a temer. Estou com
medo da espetacularização da notícia a qualquer preço, notícia que chega ao
leitor sem apuração, sem ouvir o outro lado, criando factóides que não se apóiam na realidade. É a síndrome da Escola Base (a escola e a reputação de seus donos destruídas nos anos 1990 em São Paulo por uma campanha unilateral da imprensa) aplicada aos intestinos do jornalismo.

O fato é o seguinte: a revista Veja publicou nesta semana - edição 1.925, ano 38, nº 40, datada de 5 de outubro de 2005 - matéria não-assinada com o título “O mensalão da filha de Elis”. Ela conta como a cantora Maria Rita teria se valido de um expediente típico do jabaculê para divulgar seu novo CD, Segundo. Sua gravadora, a Warner, distribuiu duas ou três dezenas de aparelhos i-Pod shuffle a diversos veículos de comunicação brasileiros.

Com isso, a cantora teria obtido matérias em revistas e jornais. Em uma passagem que me toca especialmente, a matéria afirma que a gravadora “matou dois coelhos de uma cajadada”, valendo-se do jornalista de Época e colaborador da revista Bravo - ou seja, eu, Luís Antônio Giron - que ganhou um i-Pod e, em troca, fez dois favores à Warner: “Ele escreveu uma matéria simpática na revista e outra mais elogiosa ainda na Bravo!, publicada pela Editora Abril, o mesmo grupo de Veja”. Em seguida, afirma que “poucos veículos recusaram o jabá da gravadora”.

Sem “outro lado”

Ficou evidente que eu não havia devolvido o i-Pod. Mas se trata de uma grande calúnia, pois não apenas devolvi o aparelhinho, sem nem tocá-lo, à assessoria da cantora no dia 15 de setembro, dois dias depois de ter sido entregue a mim (sem que eu pedisse), como não fiz matérias “simpáticas” à cantora. Na matéria da Época, escrevi que Maria Rita “fracassa” ao tentar fugir da influência dos pais. Na da Bravo!, fiz uma reflexão em estilo de improviso sobre como não consigo ouvir Maria Rita com ouvidos inocentes. De fato, para mim, é impossível ouvi-la sem pensar na mãe. Portanto, as duas matérias, cada uma para um fim, trataram criticamente e de forma independente o CD.

Para a Época, fiz uma entrevista. Para Bravo!, uma “pensata” crítica. E, outra vez, devo dizer que o aparelhinho com valor médio de R$ 240, enviado a título de material suplementar aos jornalistas (o preço de uma caixa de 6 DVDs ou de muitos outros materiais enviados à imprensa a título de divulgação, sem caracterizar o jabá, como veremos adiante), foi devolvido gentilmente à Warner. Achei que não era lá muito justo receber um objeto do desejo de consumo, mesmo que sem nenhum tipo de obrigação, embora não gostasse de causar qualquer constrangimento à gravadora com algo que soasse como uma desfeita. Consultei o diretor de Redação da Época, devolvi o aparelho à assessoria da Warner e fiquei tranqüilo.

Não devia dar qualquer satisfação sobre isso. Mas, pelo jeito, nada disso tem importância. O fato mais importante no caso dos redatores da reportagem da Veja foi que nem sequer tomaram o cuidado de me ouvir, ou seja, conferir o famoso “outro lado” da investigação. Ao não fazer isso, incorreram em erro e praticaram uma calúnia, ao dizer que o jornalista da Época reteve o aparelho. Fiquei sabendo do caso ainda na sexta-feira por meio da diretoria da Bravo!. Fui informado de que dois velhos amigos meus trataram de produzir a peça acusatória: um repórter de música que trabalhou no Notícias Populares
na época do escândalo da Escola Base e com quem tive ocasião de conviver fraternalmente em várias ocasiões e o redator-chefe da Veja, velho companheiro dos tempos da Folha e pessoa a quem devoto o maior respeito e admiração.

Defesa no escuro

Bom, dirão os incautos, com amigos assim a gente não precisa de inimigos.
Pois, na sexta-feira (30/9), passei o dia tentando falar com eles, ligando para a redação para que a matéria fosse corrigida. Eu havia devolvido o i-Pod. Depois de muito esforço, Sérgio Martins me ligou para se desculpar, afirmando algo como “não sou policial, não tenho nada a ver com isso, foi matéria encomendada”. Mas, Sérgio, por que você não ligou para mim ao menos para saber se era verdade? Não ligou, disse, por vergonha. Tentei contactar Mario Sabino o dia todo, sem sucesso. No final da tarde, a Veja disse que a matéria estava fechada, sem possibilidade de correção. Sem saber do que se tratava, pois não me mostraram o seu conteúdo, escrevi uma carta à redação me defendendo.

A carta saiu espremida na última página das cartas, evidentemente cortada na parte em que digo que a Veja não me ouviu. Transcrevo aqui o e-mail original (grifando o que não saiu publicado):

Veja aqui o artigo na íntegra


nenhum comentário

Comentários não estão disponíveis para este post.

 

Arquivos

Fotos das últimas ações

    Vem aí: o mais incrível ponto turístico do Brasil Vem aí: o mais incrível ponto turístico do Brasil Vem aí: o mais incrível ponto turístico do Brasil Vem aí: o mais incrível ponto turístico do Brasil Vem aí: o mais incrível ponto turístico do Brasil Puma - Bandeirão em SP 

  • Veja a todas as fotos aqui.